sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Poder de consumo da classe D já supera o da B


Agência Estado
Pela primeira vez neste ano, a massa de renda das famílias da classe D vai ultrapassar a da classe B, apontam cálculos do instituto de pesquisas Data Popular. Em 2010, as famílias com ganho mensal entre R$ 511 e R$ 1.530 têm para gastar com produtos e serviços R$ 381,2 bilhões ou 28% da massa total de rendimentos de R$ 1,380 trilhão. Enquanto isso, a classe B vai ter R$ 329,5 bilhões (24%). A classe B tem renda entre R$ 5.101 e R$ 10.200. O maior potencial de compras, no entanto, continua no bolso da classe C: R$ 427,6 bilhões.
"Mas é a primeira vez que a classe D passa a ser o segundo maior estrato social em termos de consumo", afirma o sócio diretor do Data Popular e responsável pelos cálculos, Renato Meirelles. Ele considerou nos cálculos a expectativa de 7% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
De oito categorias de produtos avaliados pelo instituto de pesquisas, em quatro delas o potencial de consumo da classe D supera o da B para este ano. São elas: alimentação dentro do lar (R$ 68,2 bilhões), vestuário e acessórios (R$ 12,7 bilhões), móveis, eletrodomésticos e eletrônicos para o lar (R$ 16,3 bilhões) e remédios (R$ 9,9 bilhões).
 Em artigos de higiene, cuidados pessoais e limpeza do lar, os potenciais de consumo das classes D e B são idênticos (R$ 11 bilhões). Os gastos da classe B são maiores que os da D em itens diferenciados: a alimentação fora do lar, lazer, cultura e viagens e despesas com veículo próprio. A dança das cadeiras das classes sociais no ranking do potencial de consumo reflete, segundo Meirelles, as condições favoráveis da macroeconomia para as camadas de menor renda. Isto é, o aumento do salário mínimo, os benefícios sociais, como o Bolsa Família, e a geração de empregos formais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Marcadores: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Realidade aumentada: puro marketing ou uma tecnologia revolucionária?

Clayton Melo
Um relatório da Juniper Research divulgado recentemente estima que a realidade aumentada (RA) móvel vai movimentar 732 milhões de dólares em 2014, impulsionada por downloads de aplicações pagas, publicidade e assinatura – o estudo não inclui o possível faturamento obtido via utilização por desktops. 


Não se trata de um valor exuberante se observado no contexto geral dos negócios, mas é o suficiente para demonstrar que cresce a importância dessa inovação tecnológica na sociedade.

Diante desse cenário, cabem  algumas reflexões:  por que atualmente se fala tanto em realidade aumentada? Trata-se de mais um modismo tecnológico ou de fato haverá implicações concretas para usuários e empresas? Quem a utiliza e com que objetivos? E o que é de fato realidade aumentada?

Um dos campos de estudo das ciências da computação, a RA refere-se de modo geral à aplicação de camadas de texto ou imagens de objetos e locais do mundo real sobre uma tela ou visor onde são inseridas informações virtuais. 

Localização

Para ilustrar, imagine que você aponte seu iPhone – com o modo câmera ligado - numa determinada direção, e a tela do equipamento mostre onde tem, naquela região, agências do banco do qual é correntista. Eis um caso prático de aplicação da realidade aumentada.
Caso prático e real. A história acima é exatamente o que um aplicativo lançado há alguns meses pelo Bradesco para iPhone 3GS, com GPS, se propõe a fazer. O recurso permite também localizar caixas eletrônicos espalhados por São Paulo.

O projeto foi desenvolvido pela agência digital brasileira Ínsula, da NeogamaBBH.  Para o gerente de projetos da empresa, Fabiano Alves, essa ação demonstra bem aquilo que ele considera como um uso pertinente de realidade aumentada: não se trata de recorrer à tecnologia como forma de mostrar que se está em sintonia com a inovação, mas também de utilizá-la como meio de prestar um serviço para o usuário.

A partir daí entra a exploração pelo marketing, pois está apoiada num benefício real para o consumidor.

“A tecnologia pela tecnologia não resolve a vida de ninguém. Conforme a realidade aumentada se dissemina na sociedade, as pessoas podem usá-la como meio de entretenimento ou num determinado serviço”, afirma Alves. 

Entretenimento

Outro projeto criado pela Ínsula para o Bradesco teve como alvo o espetáculo Quindam, do Cirque Du Soleil. O banco pretendia capitalizar em cima do fato de patrocinar o evento.

Pela ação, realizada nos locais de apresentação do espetáculo, as pessoas podiam interagir com o Circo Virtual Bradesco, que permitia vivenciar experiências circenses na palma da mão, enquanto produtos do banco eram apresentados virtualmente.

“A realidade aumentada não é algo novo, mas agora ela está chegando de fato ao dia-a-dia das empresas e dos usuários”, afirma Alves. “O cuidado que se deve ter é fugir dos modismos, não usar porque hoje ela é hype. Deve-se ter um objetivo muito bem definido”, reforça.

Martha Gabriel, especialista em comunicação digital e professora dos cursos de MBA e pós-graduação da Business School São Paulo (BSP), concorda com Fabiano Alves.

“Boa parte dos usos hoje ocorre por causa da onda hype. Mas a realidade aumentada não é modismo. Ela pode ser aplicada em diversos setores de atividade, inclusive para elevar vendas”, afirma. 

Serviços

Um exemplo disso vem do serviço de Correios dos EUA, que usa a realidade aumentada para que os clientes possam simular pela tela do computador que embalagem é a mais adequada a determinado pacote que a pessoa deseja enviar.

“Uma outra possibilidade é a medicina utilizá-la para simular a visão interna do corpo humano”, exemplifica Martha. “Outra aplicação possível é na área de manutenção de produtos, para esclarecer o consumidor sobre atividades complexas”, diz.

Nesse caso, continua Martha, um exemplo é a criação de vídeos com a realidade aumentada que explicam o funcionamento de equipamentos eletrônicos. “Seria um benefício concreto para o consumidor”, diz. 

Potencial

Aplicações desse tipo ainda são raras. O mais comum hoje é o uso como instrumento de promoção de marcas e produtos.

“As inovações partem da tecnologia e são incorporadas rapidamente pelo marketing. O setor de entretenimento também é um dos primeiros a abraçar esse tipo de novidade. Foi assim com a realidade aumentada”, afirma João Matta, professor de comunicação com o mercado da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

“A realidade aumentada tem um potencial muito maior e que foi pouco explorado atualmente. Hoje, o mercado ainda está na fase do encantamento", avalia avalia Raphael Vasceoncellos, vice-presidente de criação da AgênciaClick. 

"Essa onda hype vai baixar, e então veremos aplicações mais fáceis. A barreira tecnológica ainda impede um uso mais amplo da realidade aumentada”, reforça Vasconcellos.

Marcadores: , , , , , , ,