terça-feira, 10 de maio de 2011

A web que encanta a velha guarda


Correio Braziliense
“Escreva uma carta, meu amor. E diga alguma coisa, por favor. Diga que você não me esqueceu. E que o seu coração ainda é meu…”, soava a voz de Roberto Carlos no rádio de dona Marlene Bezerra. O romantismo do rei inspirava colocar em prática a principal forma de comunicação entre os apaixonados da época: cartas e telegramas. Os tempos mudaram, claro, mas as declarações escritas continuam a inflamar relacionamentos. Do papel para o e-mail. Do telefone ao Skype. Do recado de geladeira aos 140 caracteres do Twitter. A geração com mais de 65 anos — que acompanhou meio que assustada essa transição — agora não se acanha com as novidades tecnológicas e avisa que está definitivamente on-line.

Dona Marlene tem 76 anos e é muito grata ao surgimento da internet. Em 1952, Geraldo Dantas apareceu na porta da escola e conquistou a menina de 17 anos. Os pais não gostavam do romance. A filha era nova demais para namorar. Mudaram-se para o Rio de Janeiro. As inúmeras cartas trocadas demoravam, algumas se perdiam, não chegavam. Os telefonemas com hora marcada ficaram cada vez mais raros e difíceis. Seguiram a vida. Casaram com outros amores sem nunca esquecer o que ficou no passado. Talvez ele já tivesse morrido, pensava.
Mais de 60 anos depois, viúva do primeiro casamento e divorciada do segundo, ela se aprontava para dormir depois de chegar de uma festa. De costas para a TV, arrumava a cama quando ouviu uma voz do passado. Pensou por alguns instantes se poderia ser ele. Virou-se para a tela e reconheceu de imediato a voz e o semblante. Era, mais calvo, grisalho e ainda charmoso, Geraldo em um programa de entrevistas do Amazonas. Estava na hora de recuperar um amor perdido no tempo. Emocionada, dona Marlene mandou um e-mail para a produção da emissora para saber o paradeiro do amado. Deu certo. Ele ainda lembrava muito bem daqueles olhos castanhos de Marlene. “Aí, a internet funcionou a toda bala!”, conta.
Ele em Manaus, ela em Petrópolis (RJ). Conectados pelo mundo virtual. Foram revelações, poemas, lembranças enviadas por e-mail e algumas vezes por ano trocadas pessoalmente no principal ponto de encontro do casal: Brasília — onde mora a filha de Geraldo. As conversas ficaram frequentes, como dona Marlene mesmo diz. Foi preciso comprar um notebook para ter mais liberdade. E então, virtualmente amaram-se, perdoaram-se e, principalmente, aprumaram-se com fervor.
Contudo, o último e-mail foi enviado em 24 de dezembro de 2010. Geraldo dizia estar tranquilo para a cirurgia de vesícula do dia seguinte. E Marlene preparava as malas para voar ao encontro do namorado. Ele não resistiu e morreu aos 88 anos, antes que ela pudesse chegar. “Nunca é tarde.
Infelizmente o tempo foi curto, mas vivido intensamente. E graças à internet, que matava distâncias e saudades, vivi grandes momentos deste grande e caloroso amor”, diz. Por mais alguns segundos, aproveita para destacar a importância da tecnologia para unir as pessoas, independentemente da idade.
Os preferidos
E este não é um caso único. Pode acontecer com os mais de 14 milhões de idosos brasileiros — o equivalente a duas vezes a população do Paraguai —, que cada vez mais conhecem os encantos da web. Dos internautas acima de 60 anos, 90% são homens e gastam mais de cinco horas on-line semanalmente, de acordo com a pesquisa da empresa de soluções em segurança Panda Security. O estudo, realizado em dezembro com 16.850 pessoas, revela que 98% deles navegam para checar os e-mails, 67% procuram atividades de lazer, 64% leem notícias e 58% usam serviços bancários. Por enquanto, as redes sociais ainda não estão entre os preferidos. Mas existem os adeptos: 28% têm perfil na rede e 11% participam de fóruns ou blogs.
E esse número vai aumentar. A população idosa cresce, e muito, no Brasil. Segundo dados do Censo 2010, divulgado na semana passada, o segmento passou a representar de 3,3%, em 1991, para 4,3% em 2000 e 5,8% em 2010. No Centro-Oeste, o percentual de crianças em 1991 era de 11,5% — e caiu para 7,6% no último ano. A expectativa é de que, em 2025, a população idosa brasileira seja de 35 milhões de pessoas — 21 milhões a mais do que neste momento.
O ex-presidente da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria Renato Maia acredita que este número ainda seja superado por causa das novas condições de vida da população. “O conceito de velhice mudou. O passado foi um período em que, as pessoas mais velhas eram afastadas das atividades sociais. Hoje, os idosos estão mobilizados a participar ativamente da sociedade”, explica. O médico acredita que com mais acesso a educação, cultura e renda, os idosos se deram conta de que os anos a mais que ganharam devem ser vividos intensamente. O computador incentiva a ideia e é uma nova oportunidade de conhecimento e relacionamento, uma estratégia poderosa que essa geração de internautas estão sabendo aproveitar muito bem.
As mães e os PCs
A Intel realizou uma enquete on-line com 1,5 mil internautas brasileiros em abril deste ano. Pelo menos 39% disseram que as mães querem ter um computador novo — e só para elas. O principal motivo para o uso de 33% é a possibilidade de manter a conectividade com toda a família e o de 29,6% é por causa do trabalho. Apenas 15,1% são capazes de utilizar todas as ferramentas do computador e da rede. Mas 11,2% gostam de jogar e têm perfil nas redes sociais. Já 27,3% dizem que elas pedem ajuda só de vez em quando.

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Mulheres mudam consumo quando se tornam mães e passam hábitos para os filhos

Camila F. de Mendonça
Quando se torna mãe, a mulher muda sua rotina e muitos aspectos do seu comportamento, inclusive o de consumo. E essa mudança, na avaliação dos especialistas, influencia, em maior ou menor grau, a formação do perfil dos filhos, futuros consumidores.


Como mães, as mulheres direcionam mais os seus gastos. “O instinto de responsabilidade é mais forte e o consumo é mais direcionado aos filhos”, explica o especialista em educação financeira, Álvaro Modernell.

Ao longo da vida ocorrem mudanças cujos impactos financeiros são mais intensos. “O primeiro momento é o primeiro emprego, depois o casamento e depois o nascimento dos filhos. E esse fato é o que gera a mudança mais positiva”, acredita Modernell. Isso porque, de maneira geral, as mães ficam mais responsáveis com o consumo doméstico.

As mudanças no perfil de consumo das mulheres quando se tornam mães vão mais além. “Elas não param de consumir para elas, o que ocorre é que a preocupação desse consumo é outra”, acredita o sócio da Sophia Mind, empresa de pesquisas especializada no universo feminino, Bruno Maletta.

Comportamento da mãe para os filhos

Para Maletta, a principal mudança que ocorre no comportamento das mães é com relação ao tipo de consumo. “Elas passam a consumir outros tipos de produtos, principalmente da categoria alimentos. Ela se torna mais consciente, pois prioriza alimentos mais saudáveis”, avalia o especialista.
“Ao se tornarem mães, essas consumidoras passam a analisar prazos de validade dos produtos e incluem nos itens de consumo alimentos funcionais, que possuem benefícios nutricionais”, considerou em nota a presidente do Shopper Experience, Stella Kochen Susskind. Para ela, as mães começam a se preocupar mais com o consumo consciente, ditam novos padrões de consumo e repassam esses novos hábitos e valores para os filhos.
“Essas consumidoras – constantemente insatisfeitas com produtos e serviços – têm características definidas e claramente femininas, ou seja, valorizam atributos como honestidade, bem-estar emocional, praticidade e responsabilidade socioambiental”, afirma Stella. “Há uma articulação feminina silenciosa que tem impacto direto na educação das crianças e no comportamento dos adolescentes”.
Essas mudanças, na avaliação de Maletta, da Sophia Mind, são consequências ampliadas da preocupação que as mulheres passam a ter com a família quando se tornam mães. “Quando ela se preocupa em ter um comportamento de consumo mais consciente e de responsabilidade socioambiental, no fundo, ela está pensando na família, só que de uma forma mais ampla”, explica.
Sem exageros

Gastar menos consigo mesma, se preocupar mais com os filhos e mudar hábitos são características das mães. Mas que também levam elas a cometerem exageros. “Se as mães deixam de gastar muito com elas, as de primeira viagem, principalmente, gastam em excesso com os filhos”, reforça Modernell. O resultado é a desorganização em dobro no orçamento.
Para evitar isso, segundo o educador financeiro, o ideal é manter o lado emocional sob controle. “A regra é bastante simples: não deixar o emocional ultrapassar o racional”, alerta. “E principalmente pensar no futuro dos filhos, na educação financeira deles e em se preocupar desde cedo com a previdência privada”.

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87% dos e-consumidores satisfeitos recomendam marca comprada

Perla Rossetti
O Brasil terá 27 milhões de internautas até o final de julho, contingente que vem aumentando suas compras online e que em 2010 movimentou R$ 23 milhões.

Para aprimorar as estratégias de profissionais e empresas na nova modalidade de consumo eletrônico, a agência digital CookieWeb e o desenvolvedor VTEX realizaram a primeira edição do E-Commerce Live, versão brasileira da Shop.Org, encontro de multicanais de venda, que reúne especialistas de todo o mundo em Boston (EUA).
No Brasil, o encontro reuniu varejos de vários segmentos para discutir índice de positivação de pedidos, margens e, especialmente, o comportamento desse target diante de "call actions", como são chamados os recursos de ativação e retenção de webconsumidores.
A fidelização, taxa de conversão e a experiência de navegação amigável das homepages partem do reconhecimento do perfil de público. Assim, a Neoassist divulgou dados recentes da DemandWare de que 87% dos e-consumidores recomendam a marca depois de experiência positiva, caso contrário 70% recorrem ao concorrente.

O estudo aponta que 69% dos pesquisados confiam mais em dados da web na hora da compra do que de vendedores em lojas. O quadro só muda quando os vendedores estão conectados de alguma forma à web, para consultas durante a negociação (43%). Além disso, 72% dos e-consummers compartilham suas experiências no meio para seus pares.
Como a base de usuários de e-commerce cresceu exponencialmente com a explosão de sites de compras compartilhadas, a adesão das redes do grande varejo foi massiva no evento, com participação de empresas com operações consolidades de comparação de preços e produtos, como Locaweb, Buscapé, Abril, e de e-commerce como o WalMart e Ultrafarma.
O encontro contou com palestras de Rodrigo Rodrigues, do Google Brasil; Maurício Salvador, da E-Commerce School; Natan Sztamfater, fundados da PortCasa e da agência digital Cookie Web; Alexandre Soncini, da Vtex, entre outras desenvolvedoras de soluções em TI e antifraude.
Componentes de precificação, sistemas de varreduras dos movimentos e estratégias online da concorrência no ambiente web e até modelos de segmentação de públlicos, como o RFM (Recency Frequency Monetary Value) foram apresentados como instrumentos de mensuração e aproveitamento do potencial de negócios.

"O Behavior Targeting que monitora a origem desse cliente e a customização da plataforma exigem das empresas uma ferramenta de análise adequada, um processo de venda, uma operação e logísticas estruturadas em sua categoria de produto", sinalizou  Philip Klien, da consultoria de varejo Predicta.
Como toda estratégia de e-marketing também prevê o gerenciamento de riscos, Luis Henrique Pelizon Loureiro, gerente comercial da FControl, do grupo Buscapé - que elevou para 80% a taxa de conversão, ou seja, efetivação das vendas de bilhetes da companhia área colombiana Avianca -, abordou as fraudes online, que nos Estados Unidos respondem a 60% da perda de vendas transacionadas.

"O Brasil já está entre os 10 primeiros em prejuízos financeiros na internet. Por isso, é importante ter sistemas de automação de regras e normas de análise e monitoramento de riscos", afirmou o executivo.
Potenciais
Em entrevista, um dos organizadores do E-Commerce Live, Natan Sztamfater, comentou que o evento terá edições anuais e regionais para dar suporte as empresas que se interessam pelo enorme potencial de e-commerce no País e que, de fato, segue o modelo de debates e palestras técnicas do Shop.Org.
Alexandre Soncini, da Vtex, empresa que integra a organização do encontro, comentou que a interface entre as plataformas de e-commerce e a campanhas de publicidade e marketing é cada vez maior.
"Pode-se gerar ações associadas às rede sociais com compartilhamento de conteúdos". Sobre os investimentos estruturais, ele explicou que R$ 50 mil é o aporte mínimo necessário para recursos de TI e desenvolvimento para qualquer empreendimento do tipo, e que break even depende do setor que a empresa opera e de um amplo e prévio conhecimento sobre seu mercado, antes de lançar-se em uma experiência no meio web.

"Além de moda e acessórios, vejo como tendência o surgimento de e-commerce para produtos específicos, para nichos, desde que justifiquem a logística envolvida sem comprometer as margens".
Sobre a explosão de sites de compras coletivas brigando pelo mesmo share da rede mundial, Soncini esclareceu que o impacto é positivo, já que tem trazido milhares de novos usuários ao meio digital, aumentando a base de clientes e contribuindo com o aprimoramento da experiência de consumo segmentado. Para acompanhar em real time o evento, acesse sua página no Facebook.

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