Ibope
Sugestões de amigos e opiniões de consumidores expressas online são as formas mais confiáveis de propaganda global, de acordo com a última Pesquisa de Consumidor da Nielsen Online, realizada duas vezes ao ano com 25.000 consumidores da internet, em 50 países.
A pesquisa da Nielsen, a maior de sua categoria, mostra que nove entre cada dez consumidores da internet no mundo (90%) confiam nas sugestões de pessoas conhecidas, enquanto sete em cada dez (70%) confiam na opinião de consumidores expressas online. Porém, nesta nova era de controle do consumidor, os publicitários serão motivados pelo fato dos sites das marcas - a forma mais confiável de propaganda conduzida por publicitários - terem a confiança da mesma quantidade de pessoas (70%) que as opiniões de consumidores expressas online.
“A explosão na Mídia Gerada pelo Consumidor (Consumer Generated Media – CGM) nos últimos dois anos indica que a confiança dos consumidores no boca-a-boca durante o processo de tomada de decisão, seja por pessoas conhecidas ou por consumidores online não conhecidos, tem crescido significativamente”, diz Jonathan Carson, presidente da Nielsen Online. Porém, o executivo acrescenta: “Vemos que todas as formas de propaganda conduzidas por publicitários, exceto anúncios em jornais, também têm tido um aumento nos níveis de confiança; é provável que a revolução CGM tenha forçado os publicitários a usar maneiras mais realistas nas mensagens com base nas experiências dos consumidores ao invés dos nobres ideais publicitários.”
A pesquisa apresenta ainda uma relação de diferenças regionais entre os 50 países pesquisados. “Essas diferenças fornecem um claro guia aos publicitários sobre como focar suas estratégias de publicidade em diferentes países”, explica.
Embora os sites das marcas alcancem altos índices de confiança, outras formas de publicidade digital ficaram com índices abaixo do anúncios da mídia tradicional, à exceção dos jornais, nos quais a propaganda apresenta queda nos níveis de confiança.
Carson conclui, “Apesar do maior número de internautas e do tempo despendido online, a indústria ainda necessita atrair renda publicitária de acordo com os atuais níveis de consumo da mídia online. A habilidade para mudar a renda publicitária da forma tradicional de mídia para a internet está em superar a forma com que a propaganda é exposta online, tornando-a um meio mais eficiente para os anunciantes das marcas e uma forma mais confiável de anunciar na mente do consumidor.”
PEREIRA, Eliane. Início de ano promissor – Faturamento publicitário cresce 25% no
primeiro trimestre e fatia da TV aberta chega a 63%. Meio & Mensagem,
ano XXXII, nº 1410, 24 de maio de 2010, p. 40.
DISALVO, David. Redes sociais: o universo do encontro
virtual – Cai por terra a visão de
que sites como o Facebook, o Orkut e o Twitter criam ilusões de relacionamento
e evitam contatos reais. Estudos começam a mostrar que esses espaços virtuais
funcionam como novo ponto de encontro. Mente & Cérebro, ano XVII, nº
208, maio de 2010, pp. 44-49.
FALLETI, Felipe. Diga ao Google que você existe – Não importa se seu empreendimento passa
longe do comércio eletrônico. De pizzarias a escritórios de advocacia, toda
empresa precisa ter um endereço na web. Para especialistas, além de aparecer em
resultados de buscas, lojas devem ter estratégia para redes sociais. Meu
Próprio Negócio, ano 8, nº 87, pp. 32-34.
ALONSO, Viviana. O que as empresas querem – Reportagem mostra as empresas de vários
setores de atividade que investem somas cada vez mais altas para associar seu
nome ao futebol. Elas querem capitalizar a capacidade do esporte de atrair um
tipo muito especial de consumidor: o consumidor-torcedor. HSM Management,
ano 14, volume 5, nº 80, maio-junho de 2010, pp. 84-90.
ROSA, André. Escolha do ponto de venda pode garantir o
sucesso do comércio – Segundo Sebrae-SP,
êxito ou fracasso do negócio pode estar relacionado ao local do estabelecimento.
Diário de S. Paulo, 30 de maio de 2010, Caderno Negócios, p. 6.
Marcelo Gripa
"Sempre quis visitar e aprender sobre o Brasil". A definição não é de qualquer gringo curioso para conhecer de perto as aclamadas belezas naturais do país, mas sim de quem quer entender a fórmula do sucesso de um negócio. O turco Orkut Buyukkoten, criador do site de relacionamentos Orkut, visitou São Paulo e Rio de Janeiro e confirmou viver dias de celebridade por causa da febre que se tornou o projeto. A palestra aconteceu no evento Marketing Show , realizado em um hotel da capital paulista. Em tom humorado, o gerente de Projetos da Google, empresa dona do site, iniciou sua apresentação explicando sobre os motivos que o levaram a construir a idéia. A proposta era encontrar um meio pelo qual fosse mais simples promover socialização virtual entre indivíduos. Não importa o nível de relacionamento. O objetivo era facilitar a promoção desde encontros amigáveis até casos de romance entre usuários.
O Brasil responde atualmente por mais da metade dos 43 milhões de adeptos mundiais do serviço. Mais precisamente 56,97% segundo estatísticas mostradas durante a apresentação. Buyukkoten atribui tal sucesso à natural cultura de socialização exercida por aqui. Segundo ele, o povo brasileiro tem a característica de ser "amistoso, comunicativo e interativo".
O gerente de Projetos não escondeu a surpresa com relação à aceitação. Nos primeiros seis meses em prática, houve um crescimento "inesperado". Com isso, foi necessária uma reestruturação para acompanhar tal evolução. Já em outros países como EUA, o Orkut não tem tanta repercussão assim. Serviços como MySpace ou Facebook são mais populares.
Publicidade no Orkut
Embora sustente um número expressivo de usuários, o site ainda não trabalha diretamente com inserção de publicidade. Mas isso deve mudar em breve. Buyukkoten confirmou conversas e testes iniciais com parceiros e empresas da área de Marketing para agregar rentabilidade ao serviço. Estratégias estão sendo desenvolvidas e pensadas para oferecer interesse à navegabilidade por meio de anúncios de acordo com seus perfis e preferências.
Casos de venda de comunidades hospedadas no Orkut foram criticadas pelo palestrante. "Não é justo lucrar em um serviço que a própria empresa fundadora não ganha nada. Por isso sugiro mais de um moderador por comunidade", alertou.
Por falar em lucros, ele preferiu omitir se ficou rico com sua invenção. Entretanto, disse que na Google os funcionários costumam ser incentivados e recompensados de acordo com suas idéias.
História do site
O modelo inicial do Orkut foi criado em 2001, mas lançado apenas em 2004. O desenvolvimento da estrutura foi possível graças aos 20% do tempo de trabalho permitido pela Google para que os funcionários construam idéias pessoais. De acordo com o idealizador, quando era ainda um estudante na universidade de Stanford, havia dificuldades de aproximação social. Para conhecer outras pessoas, precisaria haver alguma pessoa intermediária. "Agora é mais fácil, pois as pessoas vêem interesses em comum", finaliza.
Daniela Braun
Dos 64,5 milhões de brasileiros com mais de 16 anos que acessam a internet, segundo a pesquisa F/Radar conduzida pela agência F/Nazca com o DataFolha, quase metade (48%) considera a opinião de seus pares publicada na Internet antes de comprar produto ou serviço.
O levantamento divulgado mostra que 55% dos internautas já incluíram algum conteúdo na rede, 51% citam a busca de informação como principal motivo da navegação. Além disso, 26% deles já publicaram opinião e 20% fizeram reclamação online sobre algum produto ou serviço.
O ativismo do consumidor online é proporcional à renda e à escolaridade, segundo o estudo. Entre os internautas com ensino superior completo, por exemplo, 45% já publicaram opinião sobre produto ou serviço.
Na avaliação do F/Radar, os dados ganham mais relevância quando se leva em consideração o fato de que 87% dos internautas entram na rede pelo menos uma vez por semana e 38% o fazem todos os dias. Em agosto, os internautas residenciais brasileiros ultrapassaram a média de 24 horas conectados, de acordo com o Ibope Net//Ratings.
Nesta edição da pesquisa semestral sobre internet no Brasil, a F/Nazca realizou 3.003 entrevistas em 172 municípios brasileiros, no mês de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.
Roberta Lippi
Uma relação mais madura e transparente entre as empresas e seus fornecedores está colocando em evidência um novo papel dos profissionais da área de compras e suprimentos. Até então designados a barganhar preços e fazer pressão sobre os fornecedores, com foco exclusivamente nos custos, os compradores começam a assumir uma função muito mais estratégica, de forma que precisam entender, sim, de custos, mas também de gestão, qualidade, processos, pessoas e até mesmo responsabilidade socioambiental.
Essa mudança se dá porque muitas organizações, baseadas no modelo criado pela Toyota na década de 1960 e disseminado pela metodologia "Lean Thinking" (Mentalidade Enxuta), passaram a enxergar no fornecedor um parceiro fundamental para o negócio e não apenas uma despesa.
Apesar de ser ainda um movimento recente no Brasil, em que a força do comprador é quase sempre maior e ainda impera certo "canibalismo" nas relações entre as duas partes, companhias como Robert Bosch e Whirpool, por exemplo, já têm história para contar nesse sentido. A mudança também se reflete no trabalho dos headhunters, que buscam profissionais cada vez mais completos para ocupar posições na área de compras.
Na Robert Bosch , principal empresa do grupo Bosch responsável pelo desenvolvimento de produtos e sistemas para montadoras de automóveis, há 240 profissionais atuando em compras, logística, qualidade e desenvolvimento de fornecedores. São, em geral, engenheiros, administradores e economistas em posições técnicas ou comerciais que têm em comum o objetivo de criar relações sustentáveis com esses parceiros e obter, junto com eles, uma melhoria constante de produtividade e competitividade.
Por isso, a complexidade do trabalho desse time é muito maior do que em grande parte das organizações. Antes de negociar preço, é preciso conhecer a técnica dos processos, os custos e margens dos fornecedores e entender como o parceiro gerencia seu negócio. Na diretoria de compras da Bosch existe um grupo de oito pessoas voltado exclusivamente para o desenvolvimento dos fornecedores, que atua em parceria com as demais equipes. A partir de indicações do departamento de compras, uma equipe da empresa se desloca até o fornecedor para identificar problemas de qualidade, logística, questões técnicas e até mesmo suporte a assuntos de gestão e recursos humanos. O investimento em treinamento compensa, na visão da organização. "Queremos que nossos fornecedores sejam empresas saudáveis. Quando algum deles tem problemas financeiros sérios, acaba saindo mais caro para nós", explica Paulo Rocca, diretor responsável pela área na América Latina.
O profissional de compras hoje tem de estar atento ao mercado e aos novos processos de fabricação que estão sendo desenvolvidos. "O perfil precisa ser mais técnico do que comercial", diz Rocca, engenheiro mecânico com pós-graduação em marketing internacional, que atua em compras na empresa há 12 anos.
Desde 2002, mais de 70 parceiros já passaram pelo programa de desenvolvimento da Bosch, com média de 380 horas de treinamento. A idéia central é que, quando o fornecedor consegue encontrar a causa do seu problema e eliminar desperdícios, tem condições de reduzir seu preço sem perder margem. Um cuidado importante, segundo Rocca, é ter discernimento para não usar esse conhecimento tão detalhado sobre a gestão do fornecedor como instrumento de negociação. "Na Bosch, essa relação de parceria com os fornecedores está ligada aos nossos valores, e não somente às práticas de mercado ou à 'moda' Toyota", reforça o diretor.
Os resultados são positivos: a melhoria de produtividade dos parceiros que passaram pelo treinamento da Bosch foi de até 8%, refletindo-se em uma maior competitividade da própria empresa. "Ainda existem muitas empresas que fazem um bom marketing em relação a esse assunto, mas, na prática, a coisa é diferente. É uma tendência de mercado, entretanto, enxergar o fornecedor como um parceiro de longo prazo", diz o presidente do Lean Institute no Brasil, José Roberto Ferro.
Na Whirpool, o processo colaborativo com os fornecedores também é uma prática. Desde 2004, aproximadamente 300 empresas fornecedoras de produtos e serviços já foram auditadas e receberam treinamento da companhia em questões como análise e solução de problemas, sistemas de qualidade e engenharia de valor. O grupo é dono de marcas como Brastemp e Cônsul e também da Embraco, líder mundial do mercado de compressores herméticos para refrigeração.
Paulo Couto, gerente-geral de suprimentos da Whirpool, ressalta que anteriormente a característica mais importante dos profissionais dessa área era a capacidade de negociação. "Ainda precisamos de negociadores e de gente que cuida da operação e das compras no dia-a-dia, mas na Whirpool também temos equipes atuando no desenvolvimento dos fornecedores e em inteligência de negócios para conhecer as tendências de mercado e dividir com esses parceiros", completa. Engenheiro de produção, com MBA por Harvard, Couto já passou por empresas como AmBev, Shell, Bain & Co e Accenture, nas quais foi responsável por projetos de redução de custos, logística e consultoria de suprimentos.
Em relação às novas competências desejadas para os compradores, o executivo especifica: nas questões técnicas, é preciso conhecer os processos internos do fornecedor- não basta saber apenas o preço do componente- e entender como funciona o mercado daquela categoria. O comprador de aço, por exemplo, deve estudar a fundo esse mercado não apenas para falar de igual para igual como também para poder ajudar seu fornecedor a melhorar processos. Além disso, é importante conhecer as novas ferramentas e metodologias disponíveis para facilitar a estruturação de contratos e demais atividades da área.
Quanto ao perfil comportamental, a capacidade de liderança ganha espaço cada vez mais importante. "O comprador antes não tinha papel executivo. Hoje queremos bons líderes, que trabalhem bem em equipe, tenham capacidade de resolução de problemas e de atração de talentos", afirma Couto, que conta com um time de 150 pessoas. "Com isso, conseguimos ter profissionais motivados e excelentes não apenas para suprimentos, mas para toda a Whirpool". Prova disso é que sua equipe já "exportou" gente para áreas como tesouraria, marketing, vendas e novos negócios. O próprio presidente da Whirpool América Latina, José Drummond Jr., foi anteriormente diretor de suprimentos do grupo.
São ainda raros no mercado os casos de CEOs originários dessa área, como acontece na Whirpool e na própria Toyota em âmbito mundial, mas isso pode se tornar mais comum a partir do amadurecimento da profissão. "Se o executivo consegue fazer um bom trabalho, ele é percebido pelo valor que agrega à empresa", diz a headhunter Taís Cundari, diretora de consumo e varejo da Fesa. Ela conta que boa parte dos seus clientes, especialmente de grandes organizações, demanda profissionais estrategistas para atuar em compras. "Isso muda para melhor até a questão salarial, já que tratamos de pessoas com um perfil diferenciado, jogo de cintura e visão estratégica."
Um movimento interessante no segmento de consumo e varejo destacado por Taís é o das marcas próprias, já que os varejistas colocam seu selo de qualidade em produtos fabricados por terceiros. "A pessoa de compras, nesse contexto, ganha papel muito relevante. Ele tem que visitar e conhecer profundamente várias indústrias para definir quais têm as melhores condições para atender à demanda."
A headhunter lembra que, nos tempos atuais de cobrança por uma atuação sustentável, as empresas precisam dos seus fornecedores para ter sua eficácia reconhecida. "A imagem de uma companhia pode ser abalada, por exemplo, se fornecedores usarem práticas que não são éticas."